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terça-feira, 7 de abril de 2009

QUEREMOS MAIS CARVÃO!! QUEREMOS MAIS CARVÃO!!

Dada a discussão sobre a matriz energética brasileira, me veio a dúvida em relação a implantação de novas tecnologias para a produção de "energia limpa"; enquanto eu acredito que nosso parque energético pode desenvolver-se e juntamente com as hidrelétricas existentes atender a demanda nacional através de investimentos em fontes alternativas e de baixo impacto ambiental para a geração de energia (p.ex.Parque Eólico); outras pessoas acreditam que é ambientalmente "mais correto" ou "barato" investir em pesquisas para o uso do Carvão Mineral para geração de energia, ou seja, usar o combustível fóssil ou a fonte nuclear é melhor para a segurança nacional em assuntos de geração de energia. Será?
..Abaixo descrevo um trecho da reportagem da revista ÉPOCA desta semana sobre o tema. Entrevista com a Senadora do PT de Santa Catarina Ideli Salvatti(foto).
==TRECHO DE REPORTAGEM PUBLICADA NA REVISTA ÉPOCA==

Ideli Salvatti - “Eu não sou lobista do carvão”

A queima de carvão mineral para gerar energia é considerada por cientistas como um dos grandes responsáveis pelo aquecimento global, fenômeno que coloca em risco a vida no planeta Terra. A senadora do PT catarinense Ideli Salvatti acredita no uso sustentável do carvão. Ideli, que presidiu a Comissão Nacional Pró-Carvão Mineral, afirma que sua posição a favor desse combustível fóssil é compatível com o cargo que assumiu agora: presidente da Comissão Nacional de Mudanças Climáticas no Senado. Na entrevista a seguir, Ideli explica como pensa em conciliar dois interesses, aparentemente tão conflitantes.


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ÉPOCAQue experiência a senhora tem em relação ao meio ambiente? IdeliTenho um perfil vinculado à questão energética, com um trabalho em relação ao passivo ambiental do carvão mineral em Santa Catarina, onde temos uma grande reserva desse combustível. Também tenho experiência com a questão da energia eólica e com o trabalho dos biodigestores (tecnologia baseada na queima dos gases produzidos pelos dejetos dos porcos para produzir energia limpa). Em Santa Catarina, os dejetos da suinocultura são um grande problema ambiental e social. Esse projeto piloto vai permitir que os biodigestores sejam aplicados na bacia do Rio Uruguai. Isso pode ser estendido a outros Estados, como Paraná e Rio Grande do Sul.

ÉPOCAPor que o partido não indicou a senadora Marina Silva (PT-AC) para a Comissão de Mudanças Climáticas? Foi durante a gestão dela como ministra do Meio Ambiente que começou a ser elaborado o Plano Nacional de Mudanças Climáticas que o Senado deverá votar. IdeliPorque a experiência dela é mais com o meio ambiente, e ela também não disponibilizou seu nome para o cargo. Essa não é uma comissão de meio ambiente, mas sim de mudanças climáticas. Nesse caso, eu também tenho experiência, pois acompanhei todo o sofrimento em Santa Catarina por causa das últimas catástrofes das enchentes.

ÉPOCAAlguns críticos acusam a senhora de presidir a Comissão de Mudanças Climáticas para dar visibilidade a uma futura candidatura ao governo de Santa Catarina. O que a senhora acha dessa afirmação? IdeliEsse tipo de acusação é apequenar e reduzir a política a questões mesquinhas. A última pesquisa do instituto Datafolha já coloca uma possibilidade de meu nome estar no cenário eleitoral. Mas essa competitividade vem do conjunto do meu trabalho ao longo destes seis anos no Senado. Essa afirmação é parecida com as acusações que fazem à ministra Dilma (Rousseff) de que os projetos do governo são eleitoreiros. Construir casa é eleitoreiro? Fazer o Bolsa Família é eleitoreiro? Ou seja, governar é eleitoreiro.



ÉPOCAQuais serão suas primeiras ações como presidente da Comissão de Mudanças Climáticas? IdeliO projeto do Plano Nacional de Mudanças Climáticas já está tramitando na casa. Já decidimos fazer uma audiência pública para tratar dele. Há também as questões de mitigação do clima. Queremos criar uma estrutura na Defesa Civil, com orçamento para os efeitos das catástrofes climáticas. Um exemplo foram as últimas enchentes em Santa Catarina. O governo precisou editar uma medida provisória para ter recurso para prestar atendimento à população. Temos de ter uma estrutura de Estado preparada e com recursos para fazer frente contra as catástrofes decorrentes das mudanças climáticas.

ÉPOCA Mas os cientistas afirmam que a tragédia que assolou Santa Catarina em novembro de 2008 não foi consequência das mudanças climáticas. Quem vai decidir a origem da catástrofe para poder usar esse dinheiro em auxílio à população? Ideli Santa Catarina tem essa polêmica, pois nosso Estado está numa fronteira de efeito das mudanças climáticas do extremo sul do planeta com mudanças no Hemisfério Norte. Então é difícil dizer o que é usual estar nessa fronteira ou é decorrente do que está acontecendo nos dois extremos do planeta.

ÉPOCAA senhora acha que o carvão ainda é um bom combustível para o Brasil? Ideli Não posso ter preconceito ao carvão. Em primeiro lugar quero colocar que o carvão existe e faz parte da nossa matriz energética. Inclusive não há, no Plano Decenal de Energia do Ministério de Minas e Energia, nenhuma intenção de eliminar esse combustível da nossa matriz energética. Por isso nossa tarefa é fazer com que o carvão tenha a utilização mais adequada. Meu Estado tem carvão, e ele é uma questão importante na economia de Santa Catarina. O carvão gera empregos em nosso Estado. Trabalhei para que a Petrobras desenvolvesse um projeto para extrair diesel sem enxofre a partir do carvão. Os estudos da Petrobras demonstram que, com as reservas carboníferas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, é possível produzir 30% da demanda do diesel com enxofre zero. E isso é solução de problema ambiental – e não um problema. [NOTA DO BLOG: Como ficam as emissões de CO² (dióxido de carbono) e CH4 (metano) oriundos da queima deste combustível fóssil? Resolve-se um problema gerando outro?]
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Obs. dos Editores do Blog: A tabela apresenta a situação do cenário internacional de geração de energia para diversos países e o Brasil.

Talvez a questão abordada pela Senadora seja realmente a de aumentar a participação da utilização do carvão mineral em detrimento do uso do Petróleo, que atualmente têm participação de 47% na geração de energia (não só a elétrica) no país.



Unidade de referência: Energia/PIB (MJ/US$) e participação percentual por fonte (%);

Energia elétrica envolve as formas de geração com hidroeletricidade, termoeletricidade e nuclear; e

Outras fontes envolve formas de geração alternativas, no caso, biomassa, lixívias, etc.

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ÉPOCAO Brasil produz 77% de sua eletricidade em hidrelétricas, que não contribuem para o aquecimento global. Defender o carvão mineral não é um retrocesso? Ideli Nossa matriz energética tem uma decisão clara de ser diversificada[NOTA DO BLOG: Essa diversificação pode ser feita com menos impacto ambiental possível]. É por isso que, mesmo com todo nosso potencial de energia hidráulica, também investimos em usinas nucleares. Com a geração de energia, existe todo um desenvolvimento de ciência e tecnologia e não podemos ficar de fora. O desenvolvimento de ciência e energia é questão de soberania. Por isso, apesar de termos uma matriz hidráulica, o que é corretíssimo, temos de ter diversidade na matriz. E precisamos garantir isso com incentivos. Por isso temos de continuar a investir nas pesquisas do carvão.[NOTA DO BLOG: Desde que a participação das fontes mais poluentes na matriz energética seja somente por questão de geração e detenção de tecnologia de processos, ou seja, sejam somente meros coadjuvantes dentro da matriz - até pode ser aceito]

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ÉPOCA
Se a senhora acredita no uso do carvão e defende esse combustível, por que fica tão irritada quando dizem que a senhora faz lobby do carvão? Ideli Porque parece que tenho interesse financeiro no tema. E eu não estou fazendo o trabalho que fiz, em aprimorar o uso do carvão da forma mais limpa possível, por isso. Sou uma parlamentar que defende o desenvolvimento sustentável. Não tenho problemas de fazer o debate do carvão, mas não me chame de lobista.






Degradação causada pela mineração de carvão em Siderópolis, Santa Catarina.
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A reportagem completa pode ser acessada no site da revista através do link:





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