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quarta-feira, 29 de abril de 2009

MAIS UM EFEITO NEGATIVO DA MÁ INTERAÇÃO AMBIENTAL

EVOLUÇÃO DA DISSEMINAÇÃO DO H1N1 NO MUNDO
===Mapa atualizado de casos noticiados===



View H1N1 Swine Flu in a larger map


Tomado pela onda de mobilização acerca dos assuntos relativos à nova ameaça à saúde da população mundial, resolvi também tomar parte das discussões. Mas antes, não vou levar em consideração nessa postagem, assuntos que remetam à idéia de manipulação e disseminação do vírus de forma intencional.

O vírus A/H1N1 como foi catalogado pelos pesquisadores é dado como o agente etiológico da latente pandemia que assombra os quatro cantos do planeta, também popularmente conhecida como gripe suína.

Bom, para as autoridades de saúde é unânime a concepção de que a eminência de uma pandemia se dá principalmente, não pela transmissão do vírus do porco para o homem, mas sim pela transmissão entre os seres humanos, haja vista que até o momento não se tem evidência da ocorrência da primeira hipótese, e ainda, a transmissão entre seres humanos pode evidenciar uma mutação e um ataque mais intensos e agressivos do vírus no organismo humano.

O alerta global acerca da gripe suína tomou o lugar da crise econômica mundial nos noticiários. Também, não é por menos. Só no México, pivô das contaminações, foram catalogados até o momento da edição desta postagem mais de 150 mortes e outra centena de pessoas estão em observação e quarentena. Nesta manhã, os EUA anunciaram também a primeira morte de uma pessoa em decorrência da contaminação pelo H1N1; trata-se de uma criança de 23 meses, moradora do Texas, as autoridades não divulgaram mais detalhes do caso mas fontes do governo informaram à agência Reuters que o bebê teria visitado o México; só no EUA já são 65 os casos da doença, em sua maioria com efeitos leves.

Um outro efeito do pânico acerca das contaminações veio do parlamento egípcio, que anunciou nesta quarta-feira a decisão de abater todos os porcos existentes no país, que somam 250 mil animais. Anunciada pela AFP, citando a agencia de notícias oficial MENA (esta do Egito), a maioria dos 80 milhões de habitantes daquele país são de muçulmanos e portanto não comem carne de porco.

Aqui no Brasil, a Anvisa e a PF intensificaram as ações de fiscalização e informação nos aeroportos internacionais e mobilizou equipes especiais para atuarem junto aos portos do litoral brasileiro, estas equipes estão preparadas para ações contingenciais desde a ocorrência da gripe do frango que provocou semelhante pânico na sociedade durante a segunda metade da década de noventa.

Diante de toda essa tempestade de notícias acerca da latente explosão de uma pandemia, já estou cogitando a idéia de sair para comprar uma máscara após editar esta postagem.


SOBRE A TERMINOLOGIA DO NOME

A letra A indica o tipo mais variável de vírus, com potencial de fazer adoecer o maior número de pessoas. Os vírus da gripe humana são classificados em A, B ou C, de acordo com esse critério.
A letra H, de H1N1, é a inicial de hemoglutinina, uma proteína localizada na superfície externa do vírus e que ele utiliza para se fixar nas células humanas. O nome vem da aglutinação das células do sangue.

A letra N, de H1N1, é a inicial de neuraminidase, uma proteína que quebra os açúcares da célula sob ataque para liberar novos vírus.

Como as duas proteínas localizam-se no lado externo do vírus, são elas que o sistema imunológico detecta e que os cientistas procuram alvejar na busca por formas de matar o vírus.

Existem 16 tipos de hemoglutinina e 9 tipos de neuraminidase. Apenas as hemoglutininas 1, 2 e 3 ocorrem nos seres humanos (daí os H1, H2 e H3 nas denominações dos vírus). Da mesma forma, apenas as neuraminidases N1 e N2 são frequentes no ser humano.

Os outros tipos são encontrados em aves. Como não ficam gripadas - os vírus atacam seu sistema digestivo e não o sistema respiratório - as aves migratórias misturam os vírus em escala mundial.

A SINA DO HOSPEDEIRO

Os porcos não são meros "bodes-espiatórios", fazem parte de uma crença histórica e em várias religiões que o assimilam como animais impuros, isso já nos tempos de Jesus Cristo.

Têm-se notícias de que grande parte das criações de suínos no México são feitas sem muita fiscalização por parte dos órgãos competentes daquele país, com isso, práticas inadequadas de criação, controle de sanidade e qualidade são escassos, dando margem para o surgimento e proliferação de muitas doenças, inclusive zoonozes.

A atividade de confinamento de suínos é uma das atividades pecuárias com maiores possibilidades de impacto ambiental severo, dado a potencialidade contaminante advinda dos criatórios, sobretudo através de excrementos da criação, que atingem leitos de rios e lençóis freáticos causando danos imediatos e severos para o meio ambiente local.
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Estamos todos atentos ao desenrolar dos fatos, até lá, aconselho a não viajarem para o México, "nem que a vaca tussa", pois se ela também tossir ai a coisa fica mais séria!

domingo, 26 de abril de 2009

A Amazônia na Lista Negra

Um estudo internacional publicado na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences; revela um cenário mais sombrio para as previsões sobre os impactos da alteração climática no planeta.

Segundo o estudo, muitos dos sistemas climáticos do mundo poderão passar por uma série de mudanças repentinas neste século, por causa de ações provocadas pela atividade humana.
Os pesquisadores argumentam que a sociedade não se deve deixar enganar por uma falsa sensação de segurança dada pela idéia de que as mudanças climáticas serão um processo lento e gradual.
"Nossas conclusões sugerem que uma variedade de elementos prestes a 'virar' poderiam chegar ao seu ponto crítico ainda neste século, por causa das mudanças climáticas induzidas pelo homem", disse o professor Tim Lenton, da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, que liderou o estudo de mais de 50 cientistas.
O estudo diz que os sistemas mais ameaçados seriam a camada de gelo do mar Ártico e da Groelândia, em um ranking preparado pelos cientistas, que inclui os nove sistemas mais ameaçados pelo aquecimento global.
A floresta amazônica ocupa a oitava e penúltima colocação no ranking.
Chuva

Segundo o estudo, boa parte da chuva que cai sobre a bacia amazônica é reciclada e, portanto, simulações de desmatamento na região sugerem uma diminuição de 20% a 30% das chuvas, o aumento da estação seca e também o aumento das temperaturas durante o verão.

Combinados, esses elementos tornariam mais difícil o restabelecimento da floresta.

A morte gradual das árvores da floresta amazônica já foi prevista caso as temperaturas subam entre 3ºC e 4ºC, por conta das secas que este aumento causaria.

A frequência de queimadas e a fragmentação da floresta, causada por atividade humana, também poderiam contribuir para este desequilíbrio.

Segundo o estudo, só as mudanças na exploração da terra já poderiam, potencialmente, levar a floresta amzônica a um ponto crítico.

A maioria dos cientistas que estudam mudanças climáticas acredita que o aquecimento global provocado pelas atividades humanas já começou a afetar alguns aspectos de nosso clima.

Alarmismo ou não, o fato é que todos sabemos que as coisas precisam mudar. Para nós, em assuntos de preservação ambiental é melhor pecar pelo excesso do que pagar o preço da omissão; este sim, não dói só no bolso ou na carne, dói na consciência também.


INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES BBC Brasil, http://www.bbc.co.uk/portuguese

sábado, 25 de abril de 2009

O MURO DA DISCÓRDIA MADE IN BRAZIL

Lobby, Vaidade, Interesse econômico-político, proteção ambiental, segurança ou vergonha mesmo?
Estive analisando a situação do avanço demográfico da cidade onde eu moro e lembrei-me da última ação empreendedora do Estado e da prefeitura do Rio de Janeiro.
....Seria a "cidade maravilha" uma versão brasileira de Berlin?
Não, é claro que não, embora o muro seja o ponto em comum, as semelhanças acabam por ai
...Seria então o Rio de Janeiro, uma versão brasileira da Sul-Africana CapeTown (como relatou meu amigo Igor em sua passagem por lá)?
Bom, acredito que as semelhanças sejam maiores em comparação com a antiga Berlin; no entanto, as semelhanças também param por ai...

O levantamento do muro da prefeitura carioca "barrando" o avanço imobiliário das favelas é uma questão sensível aos olhos de quem vê.

Segundo as más linguas, dizem que uma outra especulação imobiliária, a dos proprietários de imóveis da Zona Sul, onde ficam os mais "abastados" e também para onde se avançam com mais intensidade as favelas, estariam se queixando que o avanço desordenado da favela em morros próximos desvaloriza seus imóveis.

Uma outra corrente, a mais "oficial", alega que o muro será uma forma de disciplinar os limites da favela. Uma obra de aproximadamente 11km orçada em 40 milhões, visa oficialmente a proteção das áreas de mata nativa em detrimento da construção desordenada nos morros, o que poderia, entre outras coisas, deixar um borrão na foto postal do Rio.

Particularmente, na minha humilde opinião o muro é uma medida pontual, para uma falha administrativa do município desde muito tempo. Todos sabemos que isso poderia muito bem ter sido evitado se houvesse uma preocupação, desde sempre, com projetos habitacionais para a baixa renda no município. (isso é tão...pffff....utópico).

Esperaram o problema crescer para tomar providências, ai não tinha como escapar da polêmica mesmo; tanto que até o Nobel de Literatura José Saramago fez questão de dar sua alfinetada comparando o Rio a Berlin e a Palestina...Mas agora, já que começou, tem que terminar; a "obra" e o assunto, pois se deixar, este muro vai dar muito "pano pra manga" ainda!




segunda-feira, 20 de abril de 2009

INDEPENDÊNCIA ENERGÉTICA

Todos nós sabemos da importância em se conseguir uma matriz energética segura para o país. Hoje contamos com as hidrelétricas como nossa principal fonte na matriz. Temos as demais usinas, térmicas e nucleares com papéis de características mais coadjuvantes do sistema energético.

No entanto, observando desta forma, notamos que os componentes da matriz que mais estão ganhando destaque depois das hidrelétricas são componentes com alto risco sócio-ambiental que, embora com menor custo de instalação no curto prazo, representam maior impacto ambiental negativo, são tratados como componentes que "sujam" a matriz.

Nos paradigmas atuais, onde a sociedade exige uma busca constante para produção com o menor impacto ambiental possível, notamos que estamos indo na contramão do processo; segundo o Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, um dos motivos que barram o desenvolvimento de soluções "limpas" para produção de energia é justamente o alto grau de investimento inicial em relação às usinas térmicas e nucleares.

No entanto, o Ministro Carlos Minc já sinaliza que o país pode contar com incentivos para o desenvolvimento e produção de componentes para uma matriz mais limpa, como é o caso dos equipamentos para geração de energia eólica e solar.

O trecho de reportagem da série Vozes do Clima do Fantástico (Globo), transmitido em 19.04.2009 destaca as opiniões de especialistas e dos ministros de Minas e Energia e Meio Ambiente em relação a situação da matriz energética brasileira.





Embora estajamos atrasados no desenvolvimento de infra-estrutura energética alternativa menos poluente, o país tem potencial e capacidade de sobra para se tornar modelo mundial em sustentabilidade energética.

De tudo, uma coisa é certa: Temos ainda muito caminho pela frente antes de alcançar uma matriz energética "limpa" e que supra toda a demanda do país, até lá a saída mais plausível é justamente a diversificação, e disso o brasileiro entende bem.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Para que precisamos de Sustentabilidade? "Quer que eu desenhe?"


Nós, enquanto cidadãos, muitas vezes não nos damos conta do que significa globalmente as etiquetas com expressão "made in China"/"made in Taiwan" ou outras do gênero; Pouquíssimas vezes - ou até mesmo nunca - ouvimos dizer a expressão "exteriorizar custos". Mas e agora? Qual seria a relação intrínseca entre estas duas expressões? A explicação a esta e a outras questões sobre a forma como o sistema de produção e consumo atual é deliberadamente nocivo ao meio ambiente pode ser conferida através do vídeo "A história das coisas" ou "The story of stuff" apresentado pela especialista em sustentabilidade a norte-americana Annie Leonard.

Entre outras coisas, no vídeo feito com uma abordagem lúdica, simples e bem didática Annie nos dá algumas explicações de como o sistema de extração de recursos, produção, consumo e descarte das coisas podem estar maquiados, escondendo detalhes da cadeia produtiva que nunca antes nos demos conta. Esta "aula" nos propõe e nos convida a uma mudança na forma com que enchergamos e participamos deste sistema.
Abaixo podemos conferir o vídeo na íntegra, dublado.

VALE (muito) A PENA CONFERIR!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

RECICLE! Não só o lixo, mas também suas idéias!

ADORÁVEL MUNDO NOVO


Este é o BMW Hydrigem 7, um dos primeiros carros do mundo a funcionar com hidrogênio, além de ser também "flex", isso mesmo, "flex"! Funciona com Hidrogênio e/ou Gasolina.


Bom, a respeito desta tecnologia, o que se tem lido em artigos publicados em sites especializados no assunto e em outras mídias, nos leva a crer que a tecnologia para produção em massa de veículos movidos a hidrogênio está ainda distante da realidade e o principal motivo, segundo especialistas, seria o alto custo e o pesado investimento em infra estrutura de distribuição e abastecimento para este combustível em específico.



Tamanha é a barreira para a popularização desta tecnologia que deixou muita gente cética a respeito dela; há quem pense que os protótipos movidos a hidrogênios já fabricados não passam de uma jogada de conspiração das grandes fabricantes aliadas à indústria petrolífera para externar uma imagem de que elas estão "investindo" com toda força em veículos "verdes".



Bom, esta teoria da conspiração não expressa a opinião dos autores deste blog, muito pelo contrário; acreditamos nessa tecnologia, no entanto todos sabemos que existem interesses corporativos gigantescos por trás das pesquisas.



A reportagem abaixo pode ilustrar nas entre linhas quais são os maiores interessados na demora da popularização dos "carros-verdes".

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PUBLICADA NO FOLHA ON LINE EM 06/04/2009
Petróleo barato barra veículos a hidrogênio

AFRA BALAZINAenviada especial da Folha de S.Paulo ao Canadá



Ao ligar o carro, o barulho lembra o de um aspirador de pó, porém mais baixo e menos irritante. Depois, quase não se ouve mais ruído. A resposta é muito rápida e o veículo parece leve, desliza suavemente pelas ruas de Vancouver, no Canadá.


O veículo elétrico com célula a combustível de hidrogênio não deixa a desejar em potência. E, o melhor de tudo, não solta nenhum poluente pelo escapamento, somente vapor-d'água. Evita, assim, a emissão para a atmosfera do gás de efeito estufa CO2, que contribui para o aquecimento global.



Em visita ao Instituto de Inovação de Célula a Combustível do NRC (Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá), a reportagem da Folha fez um test-drive com um modelo Ford Focus movido a hidrogênio. Ao dirigir o carro, fica claro que a tecnologia não é mais um empecilho para esse tipo de veículo. Embora muitos protótipos tenham sido criados nos últimos anos, porém, nenhum atingiu escala comercial ainda.



Michael Fowler, professor da área de engenharia química da Universidade de Waterloo, tem a resposta pronta para explicar a demora: o petróleo ainda está barato, e ninguém vai se interessar em comprar carros ecológicos se é mais econômico se locomover soltando fumaça.
Na sexta-feira, em Nova York, a cotação do barril de petróleo fechou em US$ 52,51. Ainda não está claro, porém, quão caro os combustíveis fósseis terão de ficar para que se decida investir no hidrogênio.



O interesse pelo combustível limpo existe desde 1959, quando foi criado um trator com célula a combustível de hidrogênio. Na crise do petróleo, nos anos 1970, a pesquisa pela tecnologia voltou. Mas, quando o preço do petróleo caiu, o assunto perdeu importância. Na década de 1990, com o aumento da preocupação ambiental, o hidrogênio voltou à pauta.


Oferta e demanda


A Honda já faz leasing (espécie de aluguel) do modelo FCX Clarity, que usa o hidrogênio, na Califórnia (EUA). O preço é US$ 600 ao mês, e inclui a manutenção do veículo.
Enquanto nos EUA e no Japão o interesse maior é pela implantação do motor a hidrogênio em carros, na Europa a atenção é para os ônibus, que vêm sendo testados na Alemanha e em outros países.



O presidente da Honda, Takeo Fukui, acredita que levará ainda dez anos até que essa tecnologia seja comercialmente viável. E isso não significa que haverá produção em massa a preços baratos, mas, sim, que o carro estará "disponível para a compra a um preço semelhante ao de um veículo de luxo hoje".



Um dos fatores que encarecem o carro é que os melhores eletrodos disponíveis para as células a combustível precisam de platina, metal raro e caro. Por isso, muitos grupos de pesquisa têm estudado alternativas. O próprio NRC pesquisa a utilização de aço como substituto à platina. E pesquisadores de Quebec, também no Canadá, acabam de apresentar em estudo na revista "Science" um catalisador à base de ferro para rivalizar com o elemento nobre.



Porém, na opinião de Ennio Peres da Silva, chefe do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp, hoje já se conseguiu reduzir a platina a uma quantidade tão pequena que, mesmo que não se encontre algo à altura dela, isso não será uma barreira ao uso do hidrogênio.



E ele critica quem só se preocupa com a questão de preço. "Se fosse só o preço que determinasse, até hoje estaríamos andando a cavalo, que era era mais rápido e mais econômico do que os primeiros carros."



Ele argumenta que o veículo a hidrogênio tem o dobro da eficiência, não polui, não faz barulho. E, se acabar a luz da sua casa, ele pode ser usado para obter energia elétrica. "Essa tecnologia não é a mais barata. Mas a humanidade vai ganhar com seu uso. É uma questão de fazer a escolha certa", diz Silva.



A demora da comercialização do veículo a hidrogênio, lembra Lars Rose, pesquisador do NRC, pode ter relação com a questão do "ovo e da galinha" --não há demanda porque não existe o carro, e não há carro porque não há demanda. Mas Silva afirma que isso pode ser superado --afinal, situação semelhante ocorreu com o etanol e o gás natural.


Perdendo o bonde


Foi no Laboratório de Hidrogênio da Unicamp que se criou o primeiro --e único-- carro brasileiro elétrico com células a combustível de hidrogênio. Infelizmente, diz Silva, o país não investiu o suficiente e "perdeu o bonde" da tecnologia. Ele critica a falta de apoio do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) --para fazer o carro, por exemplo, o grupo contou apenas com o MME (Ministério de Minas e Energia).



Na opinião de Silva, os motores a combustão interna, menos eficientes do que os elétricos, estão com os dias contados. "Não podemos apostar em algo que vai acabar". diz.



Na América do Norte e no Japão, principalmente, os carros híbridos --que alternam bateria elétrica e gasolina-- têm feito sucesso. Há cerca de um ano, a Toyota anunciou que o Prius havia atingido a marca de 1 milhão de veículos vendidos.


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terça-feira, 7 de abril de 2009

REFLEXÃO

QUEREMOS MAIS CARVÃO!! QUEREMOS MAIS CARVÃO!!

Dada a discussão sobre a matriz energética brasileira, me veio a dúvida em relação a implantação de novas tecnologias para a produção de "energia limpa"; enquanto eu acredito que nosso parque energético pode desenvolver-se e juntamente com as hidrelétricas existentes atender a demanda nacional através de investimentos em fontes alternativas e de baixo impacto ambiental para a geração de energia (p.ex.Parque Eólico); outras pessoas acreditam que é ambientalmente "mais correto" ou "barato" investir em pesquisas para o uso do Carvão Mineral para geração de energia, ou seja, usar o combustível fóssil ou a fonte nuclear é melhor para a segurança nacional em assuntos de geração de energia. Será?
..Abaixo descrevo um trecho da reportagem da revista ÉPOCA desta semana sobre o tema. Entrevista com a Senadora do PT de Santa Catarina Ideli Salvatti(foto).
==TRECHO DE REPORTAGEM PUBLICADA NA REVISTA ÉPOCA==

Ideli Salvatti - “Eu não sou lobista do carvão”

A queima de carvão mineral para gerar energia é considerada por cientistas como um dos grandes responsáveis pelo aquecimento global, fenômeno que coloca em risco a vida no planeta Terra. A senadora do PT catarinense Ideli Salvatti acredita no uso sustentável do carvão. Ideli, que presidiu a Comissão Nacional Pró-Carvão Mineral, afirma que sua posição a favor desse combustível fóssil é compatível com o cargo que assumiu agora: presidente da Comissão Nacional de Mudanças Climáticas no Senado. Na entrevista a seguir, Ideli explica como pensa em conciliar dois interesses, aparentemente tão conflitantes.


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ÉPOCAQue experiência a senhora tem em relação ao meio ambiente? IdeliTenho um perfil vinculado à questão energética, com um trabalho em relação ao passivo ambiental do carvão mineral em Santa Catarina, onde temos uma grande reserva desse combustível. Também tenho experiência com a questão da energia eólica e com o trabalho dos biodigestores (tecnologia baseada na queima dos gases produzidos pelos dejetos dos porcos para produzir energia limpa). Em Santa Catarina, os dejetos da suinocultura são um grande problema ambiental e social. Esse projeto piloto vai permitir que os biodigestores sejam aplicados na bacia do Rio Uruguai. Isso pode ser estendido a outros Estados, como Paraná e Rio Grande do Sul.

ÉPOCAPor que o partido não indicou a senadora Marina Silva (PT-AC) para a Comissão de Mudanças Climáticas? Foi durante a gestão dela como ministra do Meio Ambiente que começou a ser elaborado o Plano Nacional de Mudanças Climáticas que o Senado deverá votar. IdeliPorque a experiência dela é mais com o meio ambiente, e ela também não disponibilizou seu nome para o cargo. Essa não é uma comissão de meio ambiente, mas sim de mudanças climáticas. Nesse caso, eu também tenho experiência, pois acompanhei todo o sofrimento em Santa Catarina por causa das últimas catástrofes das enchentes.

ÉPOCAAlguns críticos acusam a senhora de presidir a Comissão de Mudanças Climáticas para dar visibilidade a uma futura candidatura ao governo de Santa Catarina. O que a senhora acha dessa afirmação? IdeliEsse tipo de acusação é apequenar e reduzir a política a questões mesquinhas. A última pesquisa do instituto Datafolha já coloca uma possibilidade de meu nome estar no cenário eleitoral. Mas essa competitividade vem do conjunto do meu trabalho ao longo destes seis anos no Senado. Essa afirmação é parecida com as acusações que fazem à ministra Dilma (Rousseff) de que os projetos do governo são eleitoreiros. Construir casa é eleitoreiro? Fazer o Bolsa Família é eleitoreiro? Ou seja, governar é eleitoreiro.



ÉPOCAQuais serão suas primeiras ações como presidente da Comissão de Mudanças Climáticas? IdeliO projeto do Plano Nacional de Mudanças Climáticas já está tramitando na casa. Já decidimos fazer uma audiência pública para tratar dele. Há também as questões de mitigação do clima. Queremos criar uma estrutura na Defesa Civil, com orçamento para os efeitos das catástrofes climáticas. Um exemplo foram as últimas enchentes em Santa Catarina. O governo precisou editar uma medida provisória para ter recurso para prestar atendimento à população. Temos de ter uma estrutura de Estado preparada e com recursos para fazer frente contra as catástrofes decorrentes das mudanças climáticas.

ÉPOCA Mas os cientistas afirmam que a tragédia que assolou Santa Catarina em novembro de 2008 não foi consequência das mudanças climáticas. Quem vai decidir a origem da catástrofe para poder usar esse dinheiro em auxílio à população? Ideli Santa Catarina tem essa polêmica, pois nosso Estado está numa fronteira de efeito das mudanças climáticas do extremo sul do planeta com mudanças no Hemisfério Norte. Então é difícil dizer o que é usual estar nessa fronteira ou é decorrente do que está acontecendo nos dois extremos do planeta.

ÉPOCAA senhora acha que o carvão ainda é um bom combustível para o Brasil? Ideli Não posso ter preconceito ao carvão. Em primeiro lugar quero colocar que o carvão existe e faz parte da nossa matriz energética. Inclusive não há, no Plano Decenal de Energia do Ministério de Minas e Energia, nenhuma intenção de eliminar esse combustível da nossa matriz energética. Por isso nossa tarefa é fazer com que o carvão tenha a utilização mais adequada. Meu Estado tem carvão, e ele é uma questão importante na economia de Santa Catarina. O carvão gera empregos em nosso Estado. Trabalhei para que a Petrobras desenvolvesse um projeto para extrair diesel sem enxofre a partir do carvão. Os estudos da Petrobras demonstram que, com as reservas carboníferas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, é possível produzir 30% da demanda do diesel com enxofre zero. E isso é solução de problema ambiental – e não um problema. [NOTA DO BLOG: Como ficam as emissões de CO² (dióxido de carbono) e CH4 (metano) oriundos da queima deste combustível fóssil? Resolve-se um problema gerando outro?]
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Obs. dos Editores do Blog: A tabela apresenta a situação do cenário internacional de geração de energia para diversos países e o Brasil.

Talvez a questão abordada pela Senadora seja realmente a de aumentar a participação da utilização do carvão mineral em detrimento do uso do Petróleo, que atualmente têm participação de 47% na geração de energia (não só a elétrica) no país.



Unidade de referência: Energia/PIB (MJ/US$) e participação percentual por fonte (%);

Energia elétrica envolve as formas de geração com hidroeletricidade, termoeletricidade e nuclear; e

Outras fontes envolve formas de geração alternativas, no caso, biomassa, lixívias, etc.

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ÉPOCAO Brasil produz 77% de sua eletricidade em hidrelétricas, que não contribuem para o aquecimento global. Defender o carvão mineral não é um retrocesso? Ideli Nossa matriz energética tem uma decisão clara de ser diversificada[NOTA DO BLOG: Essa diversificação pode ser feita com menos impacto ambiental possível]. É por isso que, mesmo com todo nosso potencial de energia hidráulica, também investimos em usinas nucleares. Com a geração de energia, existe todo um desenvolvimento de ciência e tecnologia e não podemos ficar de fora. O desenvolvimento de ciência e energia é questão de soberania. Por isso, apesar de termos uma matriz hidráulica, o que é corretíssimo, temos de ter diversidade na matriz. E precisamos garantir isso com incentivos. Por isso temos de continuar a investir nas pesquisas do carvão.[NOTA DO BLOG: Desde que a participação das fontes mais poluentes na matriz energética seja somente por questão de geração e detenção de tecnologia de processos, ou seja, sejam somente meros coadjuvantes dentro da matriz - até pode ser aceito]

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ÉPOCA
Se a senhora acredita no uso do carvão e defende esse combustível, por que fica tão irritada quando dizem que a senhora faz lobby do carvão? Ideli Porque parece que tenho interesse financeiro no tema. E eu não estou fazendo o trabalho que fiz, em aprimorar o uso do carvão da forma mais limpa possível, por isso. Sou uma parlamentar que defende o desenvolvimento sustentável. Não tenho problemas de fazer o debate do carvão, mas não me chame de lobista.






Degradação causada pela mineração de carvão em Siderópolis, Santa Catarina.
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A reportagem completa pode ser acessada no site da revista através do link:





domingo, 5 de abril de 2009

O PRIMEIRO GRANDE PASSO - ESTOCOLMO 1972

Um dos primeiros grandes movimentos em relação conscientização global para os problemas ambientais foi a I Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no ano de 1972 em Estocolmo na Suécia; conhecida como Conferência de Estocolmo.
Um dos principais frutos para a sociedade moderna advindo desta conferência, além do legado de consciência de unidade global sobre as discussões sobre o meio ambiente, foi a edição de uma lista de 26 princípios contidas na declaração de Estocolmo; este foi um marco histórico nas negociações internacionais sobre o clima.

Muitos destes princípios transformaram-se ao longo das décadas, em elementos e metas de negociação.

Então, entendemos que para os dias atuais, o primeiro passo em conjunto para um Desenvolvimento mais sustentável e um Meio Ambiente mais respeitado a nível mundial, embora insipiente, foi dado na Conferência de Estocolmo.

PRINCÍPIOS DE ESTOCOLMO - RESUMIDO:
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1. Os direitos humanos devem ser defendidos; apartheid o e o colonialismo devem ser condenados.
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2. Os recursos naturais devem ser preservados.
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3. A capacidade da Terra de produzir recursos renováveis deve ser mantida.
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4. A fauna e a flora silvestres devem ser preservadas.
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5. Os recursos não-renováveis devem ser compartilhados, não esgotados.
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6. A poluição não deve exceder a capacidade do meio ambiente de neutralizá-la.
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7. A poluição danosa aos oceanos deve ser evitada.
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8. O desenvolvimento é necessário à melhoria do meio ambiente.
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9. Os países em desenvolvimento requerem ajuda.
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10. Os países em desenvolvimento necessitam de preços justos para suas exportações, para que
realizem a gestão do meio ambiente.
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11. As políticas ambientais não devem comprometer o desenvolvimento.
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12. Os países em desenvolvimento necessitam de recursos para desenvolver medidas de
proteção ambiental.
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13. É necessário estabelecer um planejamento integrado para o desenvolvimento.
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14. Um planejamento racional deve resolver conflitos entre meio ambiente e desenvolvimento.
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15. Assentamentos humanos devem ser planejados de forma a eliminar problemas ambientais.
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16. Os governos devem planejar suas próprias políticas populacionais de maneira adequada.
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17. As instituições nacionais devem planejar o desenvolvimento dos recursos naturais dos
Estados.
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18. A ciência e a tecnologia devem ser usadas para melhorar o meio ambiente.
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19. A educação ambiental é essencial.
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20. Deve-se promover pesquisas ambientais, principalmente em países em desenvolvimento.
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21. Os Estados podem explorar seus recursos como quiserem, desde que não causem danos a
outros.
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22. Os Estados que sofrerem danos dessa forma devem ser indenizados.
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23. Cada país deve estabelecer suas próprias normas.
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24. Deve haver cooperação em questões internacionais.
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25. Organizações internacionais devem ajudar a melhorar o meio ambiente.
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26. Armas de destruição em massa devem ser eliminadas.
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sábado, 4 de abril de 2009

A SAGA DO BESOURO TURISTA

A saga do Titanus giganteus, ou como ficou conhecido como o maior Besouro do Mundo, o exemplar da família dos invertebrados de 14,5 cm que "inadvertidamente" pegou carona na bagagem de uma turista suíça em sua passagem pela Amazônia e embarcou para Genebra sem ser notado, causou uma certa desconfiança por parte dos leitores do site Globo Amazônia.

Segundo o site, em e-mail enviado ao Museu de Genebra, Giulio Coccodoro (o de óculos na foto), pesquisador do museu que apresentou o animal publicamente disse que o besouro foi mais uma "vítima" do nosso estado de mundo moderno e globalizado e trata-se de mais um caso de contaminação como acontece com os piolhos que viajam escondido na cabeça de alguns viajantes.

Ainda segundo o pesquisador, o animal foi encontrado pela turista em sua bagagem ao retornar para Genebra, que colocou-o ainda com vida em um recipiente com alcool e temendo haver mais exemplares espalhados pela casa chamou uma empresa de dedetização, que acabou entregando o animal ao musel. Hoje o "turista acidental", após ter recebido o título de Maior Besouro do Mundo, encontra-se exposto no Musel de História Natural em Genebra na Suíça.
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Além de "ver pra crer" é preciso antes acreditar que este animal tenha saído do país realmente por "acidente". Um animal de 14,5 cm, vivo, ter chego do outro lado do oceano atlântico ileso? "hummm" não sei não.
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Energia nuclear é sustentável?


Muito se tem falado sobre energia nuclear nos últimos meses já que o governo brasileiro retomou o projeto de construção da Usina Nuclear Angra 3. O argumento utilizado por seus defensores é que o Brasil precisa de energia e que a energia nuclear é limpa e sustentável já que não produz gases de efeito estufa, não necessita de grande área e produz baixos impactos ambientais.

O Programa Nuclear Brasileiro (PNB) nasceu após a 2ª Guerra Mundial com o propósito de se adquirir conhecimentos da tecnologia nuclear. A construção das usinas Angra 1 e Angra 2 foi marcada por atrasos, orçamentos estourados e falta de transparência governamental. A construção da usina Angra I se iniciou em 1972, em plena ditadura militar. Em 1976, começou a construção de Angra II, que só entrou em funcionamento no ano 2000 e depois de gastos aproximados de US$ 12 bilhões!

Já a construção de Angra III jamais saiu do papel, apesar de seus equipamentos terem sido adquiridos ainda na década de 1970 e se encontram armazenados desde esta data, com o risco de estarem com funcionamento comprometido.
Do ponto de vista econômico, é um absurdo um país como o Brasil com tantas desigualdades sociais necessitando de solução, orçar R$ 7 bilhões na construção de uma usina nuclear que gerará energia a um custo muito mais alto que a proveniente de usinas hidrelétricas. Este valor aumenta quando se incluem o gerenciamento dos rejeitos radioativos e o descomissionamento da usina. O governo brasileiro informou que o megawatt-hora (MWh) produzido por Angra 3 deverá custar R$ 170, quase 2,5 vezes mais que o valor licitado recentemente para a Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO). Das 438 usinas nucleares em funcionamento no mundo, 59 estão na França e 53 no Japão, países que optaram pela energia nuclear pois não possuem alternativas energéticas. Mas o Brasil não necessita da energia nuclear pois possui alternativas energéticas renováveis como a biomassa proveniente do bagaço da cana e a eólica nos estados da região nordeste, por exemplo.
Os altos custos de construção,manutenção, seguro contra acidentes e descomissionamento das usinas tornam a energia nuclear no Brasil cara e pouco viável.

OBS: descomissionamento é nome que se dá ao término das operações da usina após sua vida útil, calculada em torno de 40 anos.

E do ponto de vista de impactos ambientais?

É claro que a probabilidade de um acidente nuclear é pequena, mas existe e assusta a população, que tem em mente os acidentes de Three Mile Island, nos Estados Unidos e de Chernobil, na Rússia.

Mas quais são os impactos de todo o processo de produção da energia nuclear?

No ciclo do combustível nuclear, a primeira etapa necessária é a obtenção do minério de urânio. Mineração de urânio não é um processo limpo, pois causa grandes impactos ambientais, como grandes deslocamentos de terra e o risco de poluição das águas. Além disso, apesar do Brasil possuir grandes jazidas de urânio, este mineral não é uma matriz renovável. De acordo com as Indústrias Nucleares Brasileiras (INB), o Brasil é o 12º maior produtor de urânio (400 ton/ano) e possui a 6ª maior reserva de urânio do mundo. Atualmente, o minério de urânio é retirado em lavra a céu aberto do Distrito Uranífero de Lagoa Real, em Caetité, na Bahia.

Na segunda etapa, o urânio é extraído do minério e concentrado em um sal conhecido como yellowcake (U3O8). O Brasil, produz hoje cerca de 400 ton anuais de yellowcake. Segue-se o processo de gaseificação que é a transformação do yellowcake em hexacloreto de urânio (UF6). Esta etapa é necessária para que o urânio possa ser enriquecido, isto é, aumentar a concentração do isótopo de urânio radioativo (235U). Atualmente, a gaseificação é realizada no Canadá e o enriquecimento de urânio é feito na Europa, apesar da técnica já ser dominada pela marinha brasileira. Nesta etapa, teremos grandes deslocamentos terrestres e marítimos do material de Caetité até o Canadá, do Canadá até a Europa e da Europa de volta ao Brasil, já para a INB, no município de Resende (RJ). Levando-se em consideração que este transporte é realizado por via terrestre ou marítima e que os meios de transporte utilizam combustíveis fósseis, haverá emissões de gases de efeito estufa. A possibilidade de um acidente durante o transporte com conseqüências ambientais é quase zero já que o transporte de materiais radioativos é baseado na filosofia da segurança da embalagem (a embalagem é apropriada para o material e a quantidade radioativa, sendo testada e aprovada por instituições renomadas).

A próxima etapa do ciclo do combustível é a reconversão (transformação do hexafluoreto de urânio em pó de óxido de urânio), com tecnologia desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha, e é realizada na Fábrica de Combustível Nuclear da INB, em Resende (RJ). Apesar de se tratar de um processo químico complexo que requer pessoal altamente especializado e treinado, há o risco de contaminação das pessoas e do meio ambiente por substâncias tóxicas.

Com o pó de óxido de urânio, pode-se iniciar a fabricação das pastilhas de óxido de urânio, que farão parte do elemento combustível. Neste processo, as pastilhas vão para fornos de altas temperaturas para adquirirem resistência. Fornos de alta temperatura gastam energia. As pastilhas sinterizadas são acondicionadas em caixas e armazenadas em um depósito dentro da própria fábrica. Os equipamentos são mantidos sob ventilação com exaustão controlada para manter a boa qualidade do ar no interior da fábrica. Novamente, há o risco de contaminação por substâncias tóxicas.

As pastilhas formarão o chamado elemento combustível, que é formado por 235 varetas de zircaloy (liga de zircônio), que são soldadas em atmosfera de gás inerte em tubos-guias.
Levando-se em consideração os custos do ciclo do combustível nuclear, a mineração do urânio corresponde a 22 %, a conversão do UF6 a 5 %, o enriquecimento a 47% e a fabricação do elemento combustível a 26%.

O combustível utilizado na usina nuclear pode gerar eletricidade por três a cinco anos. Após este período, ele precisa ser substituído. O combustível queimado contém ainda 96% do urânio original e 1% de plutônio e pode ser enviado para armazenamento temporário. No Brasil, não há local para a disposição final dos rejeitos radioativos. O material de alto teor radioativo é colocado na piscina dos reatores nas próprias usinas. Já os resíduos de baixo e médio teor, como as ferramentas e luvas dos operários, são armazenados em depósitos provisórios dentro do complexo nuclear.

Levando-se em consideração todos os aspectos citados, ficam as perguntas:
Será que seria ético deixarmos para as gerações futuras um tremendo passivo ambiental que são os rejeitos armazenados nas usinas para que elas resolvam o problema que nós criamos e não soubemos administrar?

Será que o Programa Nuclear Brasileiro é sustentável, pensando que sustentabilidade está relacionada com a redução das desigualdades sociais e não deve favorecer somente alguns em detrimento da maioria?

Será que o fato da sociedade civil não ter sido consultada quanto ao Programa Nuclear Brasileiro torna-o legítimo e democrático?



Autora: Denise Bemelmans

Meio Ambiente, Sustentabilidade e Agronegócio

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